A corrida sem chegada

Por Suriel Costa

Eu demorei anos pra perceber uma coisa óbvia: eu não estava atrasado na vida. Eu estava correndo numa corrida que não tinha linha de chegada.

Deixa eu voltar um pouco.

Meu primeiro trabalho foi empacotando compras num supermercado. Depois virei vendedor numa loja de chocolates. Trabalho honesto, salário no fim do mês, e a sensação de que aquilo era o teto. Não porque eu não me esforçava, eu me esforçava muito. Mas o dinheiro que entrava dependia inteiramente de eu estar lá, de pé, todas as horas do dia. Se eu parasse, ele parava junto.

Esse é o detalhe que quase ninguém repara. A maioria das pessoas não tem um problema de esforço. Tem um problema de desenho: a renda delas foi desenhada para depender da presença delas. E uma renda que depende do seu tempo tem duas consequências inevitáveis. Primeiro, ela tem teto, porque o seu dia tem 24 horas e acabou. Segundo, ela tem prazo, porque ninguém aguenta correr pra sempre.

Eu chamo isso de Corrida sem Chegada. Você acelera, o mês acelera junto. Você ganha mais, a vida cobra mais. E o descanso, a viagem, o tempo com quem você ama, tudo fica agendado pra um “depois” que nunca chega.

Tem gente nessa corrida ganhando pouco e tem gente ganhando bem. O salário muda, a esteira é a mesma.

O que mudou pra mim

A virada não foi um golpe de sorte nem uma ideia genial de negócio. Foi entender um conceito simples: existe um tipo de renda que não depende das suas horas. O dinheiro que você já tem, mesmo que seja pouco, pode ser colocado para trabalhar, e ele não pede férias, não fica doente e não precisa de você presente pra funcionar.

Eu chamo isso de Renda Livre.

Quando eu comecei a estudar isso, saindo do balcão da loja de chocolates, eu não tinha capital, não tinha contatos e não entendia nada de investimento. O que eu tinha era a disposição de aprender uma habilidade que ninguém tinha me ensinado na escola: fazer o dinheiro render sem eu estar em cima dele.

E aqui vai uma honestidade que pouca gente do meu meio gosta de dizer: isso não é rápido. Não é aposta, não é atalho, não é fórmula de enriquecer da noite pro dia. Quem procura dinheiro fácil se decepciona, e geralmente perde o pouco que tem tentando. É uma habilidade, e habilidade se constrói com método e tempo, do mesmo jeito que se aprende a dirigir ou a cozinhar.

Por que eu ensino isso

Hoje, mais de 140 mil pessoas já passaram pelos meus treinamentos. E as histórias que mais me marcam não são as espetaculares. São as comuns.

O Lúcio, um dos meus alunos, por exemplo, chegou até mim depois de perder o emprego, o pior momento possível pra pensar em futuro, na visão dele. Foi justamente ali que ele reconstruiu a relação dele com o dinheiro, e conseguiu crescer degrau por degrau.

Nenhum deles era especialista. Nenhum deles tinha “perfil pra isso” (spoiler: esse perfil não existe, é uma história que a gente conta pra si mesmo pra não começar).

O que eles tinham em comum era o cansaço da corrida sem chegada. E a decisão de aprender o desenho novo: uma renda que pode existir, crescer e trabalhar mesmo quando você estiver vivendo a vida que ficava sempre pra depois.

É sobre isso que eu falo todos os dias. E é por isso que este espaço existe.

Suriel Costa é educador financeiro, fundador da Open Capital e criador de um dos maiores canais do mundo do Youtube em seu nicho.